segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Mentes que brilham, com Sanatan

Mentes que brilham, com Sanatan

Janelas do Cerrado
Encontrei Sanatan na minha viagem ao Encontro de Culturas, na Chapada dos Veadeiros. Ele estava sentado, ao lado de uma moça que, com os olhos adocicados, admirava o seu trabalho e entendia um pouco de sua sabedoria. Assim, como os expositores de artes do Encontro, no Vilarejo de São Jorge, Sanatan reserva alguns dias anuais, durante o mês de julho, para visitar a Chapada dos Veadeiros e mostrar aos que, por ali passam, um pouco de seu saber. Antigamente o chamavam Gidel Alves. Mas, após passar um tempo na Índia, os deuses budistas o batizaram de Sanatan, que significa Eternidade.

Sanatan nasceu no Mato Grosso, mas viveu a maior parte da sua vida em Goiânia. Sempre muito independente, fez questão de viver da arte, desde o seu início. O primeiro trabalho foi em um escritório de arte em Goiânia, administrado por um artista italiano, que também era cenógrafo. Foi um tempo de aprendizado, desde técnicas artísticas de observação e profundidade, até nuances da televisão, onde trabalhou por um tempo, como assistente.
Porém, foi em 1970 que Sanatan passou a pisar no chão da Chapada e desenvolver suas pinturas. Principiou a prática da meditação no Morro da Baleia, em uma escola esperantista – verdadeiro preparo para a abertura máxima da sensibilidade. Após viver um tempo na Índia, sublinhando caminhos desconhecidos, mas fundamentais no seu autoconhecimento, Sanatan voltou ao Centro Oeste brasileiro, deixou o hábito de monge budista e iniciou sua empreitada poética, pintando paisagens. Acredito que a sua arte transcreva a sua devoção pela natureza, de uma maneira tão sublime, como o vento.
No seu processo criativo, Sanatan se depara em frente àquela cena da natureza e, consegue, simplesmente, descrevê-la, com imensa precisão e poesia. Se olhar de relance, a associação do afresco com uma fotografia é imediata. As “Janelas do Cerrado”, como ele mesmo descreve as suas pinturas, às vezes, são complementadas por detalhes, acrescentados naquela linguagem, como algum animal, por exemplo. Olhar para suas pinturas, é um exercício quase meditativo, pois de alguma maneira, Sanatan é capaz de transmitir a verdadeira essência da Chapada dos Veadeiros: o calor, o vento, a biodiversidade complexa, a calmaria, os sons e o amor – desde sua essência existencial primária, até a reflexão, especificada pela peculiaridade desse significado, para cada um.

A mãe Gaia é o início da solitude, do despertar da consciência. É através da natureza, que encontramos a rachadura que nos faz agir como “durões” com o mundo e consigo mesmo. Ao se observar, diante de um olhar sobre uma paisagem emudecedora da natureza, identifique sua sensibilidade. Será que algo tão grandioso e primordial, no que diz respeito à origem do ser humano, ainda não é capaz de lhe despertar amor e comoção? A gratidão por estar diante da complexidade da natureza – que se dá por si só, como o inquestionável funcionamento do corpo humano, ou, a perfeição de tudo, a que estamos interligados – é capaz de regenerar, e ressignificar, qualquer ser, qualquer ideia e qualquer sentimento.
Sem dúvida, Sanatan está bem consciente da sua realidade, como missionário nessa terra: trazer ao ser normótico e robótico, muito mais emoção, em um contexto, extremamente simples. Ao pintar com leveza, exatidão e graça, não é possível não agradar os olhos de quem observa a sua obra. Pelo menos por um instante, é imensa a sensação de bem-estar, ao olhar para aquela mistura de cores, texturas e vidas, nas mais variadas formas. Não é preciso de muito para encontrar o caminho, apenas de profundidade. Só assim, será possível entrar em contato com a verdadeira missão que nos foi destinada. Sanatan significa ETERNIDADE.


Útero da terra
“Vi o útero da terra. As diversas formas de vida que surgem. Observei o ciclo da vida, as aves em seus viveiros, em ninhos, como se estivessem em visita ao paraíso. Realmente a Antevisão do Éden.” Sanatan

4 comentários:

  1. Muito lindo esses quadro moro aqui pertinho da casa dele no buriti sereno não conheço ele mais tenho vontade de ir lá na casa dele

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  2. Maravilhoso o trabalho deste nosso grande artista!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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